Várias pessoas foram presas acusadas de cometer crimes contra o Estado. Algumas permaneceram detidas sem julgamento. Dois prisioneiros de consciência e diversos possíveis prisioneiros de consciência foram condenados por crimes contra a segurança do Estado. Despejos forçados continuaram sendo realizados. Várias manifestações que estavam programadas foram proibidas de maneira arbitrária. Em pelo menos um caso de execução extrajudicial policiais foram levados à Justiça. A polícia, porém, continuou a violar os direitos humanos. Apesar de um acordo firmado entre Angola e a República Democrática do Congo (RDC) para interromper as expulsões em massa dos cidadãos dos respectivos países, Angola prosseguiu com as expulsões, durante as quais foram cometidas violações dos direitos humanos.
No dia 8 de janeiro, a seleção de futebol do Togo sofreu um ataque em Cabinda, quando viajava para participar da Copa da África de Nações que seria realizada em Angola. Duas pessoas foram mortas e diversas ficaram feridas durante o ataque. Uma facção da Frente de Libertação do Estado de Cabinda/Posição Militar (FLEC/PM) reivindicou a autoria do atentado, afirmando que não pretendia atacar a equipe desportiva, mas apenas os membros das Forças Armadas angolanas que escoltavam a seleção. Poucos dias depois, outra facção, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda/Forças Armadas de Cabinda (FLEC/FAC), também teria reivindicado a autoria do atentado. Dois homens, João António Puati e Daniel Simbai, foram detidos suspeitos de efetuar o ataque. João António Puati foi condenado e sentenciado a 24 anos de prisão, enquanto que Daniel Simbai foi absolvido. Pelo menos outras 14 pessoas foram presas após o ataque, sem serem diretamente acusadas de realizá-lo. No decorrer de 2010, ocorreram outros ataques das FLEC em Cabinda.
Em janeiro, a Assembleia aprovou uma nova Constituição segundo a qual o Presidente deve ser eleito pelo Parlamento. A Carta também possibilita que o presidente José Eduardo dos Santos, que está no cargo há mais de 30 anos, cumpra mais dois mandatos de cinco anos. Além disso, substitui o cargo de primeiro-ministro pelo de vice-presidente, o qual é escolhido pelo presidente.
Em setembro, a Ordem dos Advogados de Angola solicitou que Tribunal Constitucional decidisse a respeito da legalidade do artigo 26 da Lei dos Crimes contra a Segurança do Estado. O artigo afirmava que "todo e qualquer ato não previsto na lei que ponha ou possa pôr em perigo a segurança do Estado" será passível de punição. Em dezembro, o tribunal concluiu que não precisava tomar tal decisão, pois uma nova Lei dos Crimes contra a Segurança do Estado havia sido aprovada pelo Parlamento em novembro. A nova lei revoga o artigo 26 da lei anterior; porém, criminaliza as injúrias contra a República, contra o presidente ou contra qualquer órgão ou poder do Estado.
Em fevereiro, a situação dos direitos humanos em Angola foi avaliada na Revisão Periódica Universal da ONU. Em setembro, Angola apresentou seu relatório ao Comitê sobre os Direitos da Criança.
Início da páginaEm outubro, o Presidente dos Santos reiterou o compromisso do governo de capacitar as famílias angolanas a adquirirem suas casas próprias. Em novembro, ele lançou um projeto de restauração de favelas. Mesmo assim, os despejos forçados prosseguiram na capital, Luanda. Na província de Huíla, expulsões desse tipo foram realizadas em grande escala. Também houve ameaças de despejos forçados em outras partes do país.
Em março, sete policiais foram condenados e sentenciados pelo Tribunal Provincial de Luanda a 24 anos de prisão por terem matado oito jovens, em julho de 2008, na região do Largo da Frescura, em Luanda. Entretanto, muitos policiais continuaram violando os direitos humanos com impunidade.
Apesar de as disposições da nova Constituição assegurarem o direito à realização de manifestações pacíficas sem a necessidade de autorização, esse direito foi negado em diversas ocasiões.
Em junho, o presidente do Tribunal Constitucional afirmou que o Direito angolano não requer autorização prévia das autoridades administrativas para que se realizem manifestações. As autoridades, porém, continuaram a impedir os protestos pacíficos.
Início da páginaEntre janeiro e abril, pelo menos 14 indivíduos foram detidos em Cabinda acusados de ligação com o atentado contra a seleção do Togo. Dois deles eram considerados prisioneiros de consciência; outros eram possíveis prisioneiros de consciência. Sete pessoas foram libertadas sem acusações, enquanto outras foram acusadas de crimes contra a segurança do Estado. Dentre os acusados, um teve as acusações contra ele retiradas após sete meses de detenção, outro foi absolvido e cinco foram condenados. Esses, porém, acabaram sendo soltos, pois o artigo 26 da nova Lei dos Crimes contra a Segurança do Estado, com base no qual eles haviam sido condenados, fora revogado. Em outras províncias, também houve detenções de possíveis prisioneiros de consciência.
Apesar do acordo firmado em 2009 entre Angola e a República Democrática do Congo para pôr fim às expulsões, as autoridades angolanas continuaram deportando cidadãos congoleses. As expulsões foram marcadas por violações de direitos humanos, inclusive violência sexual. O Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) informou que, entre setembro e o fim do ano, mais de 12.000 imigrantes haviam sido expulsos para as províncias de Bandundu, Bas-Congo e Kasai-Ocidental. Segundo o OCHA, 99 mulheres e 15 homens foram estuprados durante a expulsão. Há informações de que uma mulher morreu no hospital depois de ser estuprada. Outras violações dos direitos humanos verificadas incluíam tortura e outros maus-tratos, sendo que muitos dos imigrantes foram devolvidos nus e sem os seus pertences. No decorrer do ano, houve novas expulsões.
Ao que se sabe, ninguém foi responsabilizado pelas violações de direitos humanos relacionadas com essas deportações ou com expulsões similares realizadas em anos anteriores.
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