Foram libertados 43 prisioneiros de consciência. Os direitos à liberdade de expressão, de associação e de reunião continuaram sendo restringidos; dezenas de críticos do sistema de partido único foram hostilizados. O embargo dos EUA contra Cuba permaneceu em vigor.
O prisioneiro de consciência Orlando Zapata Tamayo morreu no dia 23 de fevereiro, após uma prolongada greve de fome. Ele fazia parte de um grupo de 75 pessoas presas durante uma onda de repressão governamental, em março de 2003. Quando faleceu, cumpria uma pena de 36 anos de prisão. Alguns meses depois, entre julho de dezembro, o governo cubano libertou 41 prisioneiros de consciência. A libertação ocorreu em função de um acordo com o governo espanhol e do diálogo que as autoridades cubanas mantiveram com a igreja Católica. Os prisioneiros libertados, com exceção de um, deixaram Cuba junto com suas famílias.
Em outubro, o Conselho da União Europeia decidiu manter, por mais um ano, sua Posição Comum sobre Cuba. O documento pede que o governo cubano melhore o respeito pelos direitos humanos.
A visita do relator especial da ONU sobre a tortura foi adiada pelo menos duas vezes em 2010. Em 2009, as autoridades cubanas haviam estendido o convite para que o relator especial visitasse o país
Até o fim do ano, Cuba não havia ratificado o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, nem o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, apesar do compromisso assumido junto ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em fevereiro de 2009, de ratificar esses instrumentos.
Em outubro, Raul Castro anunciou que o Congresso do Partido Comunista Cubano, que não se realiza há 16 anos, aconteceria em abril de 2011.
Início da páginaTodos os meios de comunicação permaneceram sob controle do Estado, impedindo o livre acesso dos cidadãos cubanos a fontes independentes de informação. Tanto o acesso à internet quanto seu conteúdo continuaram sendo monitorados e, às vezes, bloqueados. A polícia e outros agentes de segurança do Estado continuaram a intimidar e hostilizar jornalistas independentes; dezenas foram presos e detidos apenas para serem soltos algumas semanas depois, sem acusação nem julgamento. Muitos dos detidos relataram terem sido pressionados a não se envolverem em atividades dissidentes, como manifestações contra o governo, e a não fornecerem informações a veículos da imprensa estrangeira.
Onze prisioneiros de consciência, que faziam parte de um grupo de 75 pessoas presas em março de 2003, permaneciam detidos no fim de 2010.
Dissidentes continuaram sendo detidos de modo arbitrário para que não pudessem exercer seu direito à liberdade de expressão, de associação e de reunião.
Pena de morte
Em dezembro, o Tribunal Supremo Popular comutou as sentenças de morte de dois cidadãos salvadorenhos, Raúl Ernesto Cruz León e Otto René Rodríguez Llerena, para 30 anos de prisão. Em 1999, ambos foram condenados por terrorismo. Em 28 de dezembro, Humberto Eladio Real Suárez, um cidadão cubano condenado à morte em 1996 por ter matado um policial em 1994, teve sua pena comutada para 30 anos de prisão. No fim de 2010, não havia nenhum prisioneiro no corredor da morte.
Início da páginaO embargo dos Estados Unidos continuou prejudicando o desenvolvimento econômico, social e cultural do povo cubano, sobretudo dos grupos mais vulneráveis.
De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas, crianças e jovens com câncer de medula óssea, assim como pacientes com câncer de retina, tinham dificuldades para fazer o tratamento necessário, pois os medicamentos eram comercializados com base na lei de patentes dos EUA. O embargo prejudicou também a obtenção de drogas antirretrovirais usadas no tratamento de crianças portadoras de HIV/AIDS. Segundo os termos do embargo, medicamentos e equipamentos médicos fabricados conforme a lei de patentes dos EUA não podem ser vendidos ao governo cubano.
Em setembro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estendeu o prazo das sanções econômicas e financeiras contra Cuba, conforme previsto na Lei de Comércio com o Inimigo. Em agosto, ele atenuou as restrições para viagens de grupos acadêmicos, religiosos e culturais a Cuba, que teriam uma análise "caso a caso". Pelo 19º ano consecutivo, uma resolução requerendo que os Estados Unidos acabem com o embargo contra Cuba foi adotada por vasta maioria (187 votos a 2) na Assembleia Geral da ONU.
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