Os últimos 11 prisioneiros de consciência detidos no contexto da repressão de março de 2003 foram libertados no mês de março, junto com outros 62 presos políticos. No entanto, a repressão governamental prosseguiu com centenas de prisões e detenções de curta duração. Jornalistas e dissidentes políticos enfrentaram hostilidades e intimidações de agentes dos serviços de segurança e de apoiadores do governo, que agiram com a condescendência do governo.
As autoridades cubanas continuaram a sufocar a liberdade de expressão, de associação e de reunião, apesar das tão divulgadas libertações de dissidentes de destaque. Centenas de dissidentes e ativistas pró-democracia sofreram hostilidades, intimidações e detenções arbitrárias.
Em abril, o Partido Comunista Cubano realizou seu primeiro congresso desde 1997 e adotou um pacote com mais de 300 propostas de reformas econômicas a serem introduzidas gradualmente. Contudo, não foi adotada qualquer resolução garantindo que os cubanos possam melhor desfrutar de seus direitos civis e políticos, nem propondo reformas legislativas que possibilitem maior liberdade política na ilha. No decorrer do ano, o governo cubano introduziu pequenas reformas econômicas autorizando a venda de casas e de automóveis, bem como permitindo que algumas atividades geradoras de renda ocorressem fora de seu controle direto.
Alan Gross, um cidadão estadunidense preso em dezembro de 2009 por distribuir equipamentos de telecomunicações em Cuba, foi sentenciado por um tribunal cubano a 15 anos de prisão por delitos contra a segurança do Estado. Autoridades e outras personalidades estadunidenses tentaram, sem êxito, que ele fosse libertado por motivos humanitários.
Top of pageAs autoridades continuaram a restringir severamente a liberdade de expressão, de reunião e de associação de dissidentes políticos, de jornalistas e de ativistas de direitos humanos. Eles foram submetidos a prisões domiciliares arbitrárias e a outras restrições a sua circulação, por parte de autoridades e apoiadores do governo, que os impediram de realizar suas atividades legítimas e pacíficas. Todos os meios de comunicação continuaram sob o controle do governo cubano.
Top of pageEm fevereiro, as autoridades detiveram mais de 100 pessoas em um único dia e colocaram mais de 50 outras em prisão domiciliar, em uma estratégia preventiva com o fim de impedir que ativistas comemorassem o aniversário da morte de Orlando Zapata Tamayo, falecido em 2010 após uma prolongada greve de fome enquanto se encontrava detido.
Em março, as autoridades cubanas concluíram a libertação dos prisioneiros de consciência detidos durante a repressão de março de 2003, bem como a de presos políticos, alguns dos quais encarcerados desde a década de 1990. A libertação dos dois últimos prisioneiros de consciência teve início em julho de 2010, na esteira de um acordo feito com o governo espanhol e do estabelecimento de um diálogo com a Igreja Católica. A maioria dos ex-prisioneiros e seus familiares foram forçados a se exilar, e apenas alguns poucos tiveram permissão de permanecer em Cuba.
As autoridades continuaram recorrendo a prisões arbitrárias com a intenção de calar os críticos das políticas governamentais.
Em 1º de janeiro de 2011, os EUA anunciaram que fariam pequenas alterações ao embargo, ampliando as permissões de viagens à Cuba para fins educacionais, culturais, religiosos e jornalísticos. Em outubro, pelo 20º ano consecutivo, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução pedindo que os EUA suspendessem seu embargo econômico e comercial à ilha, o qual vigora desde 1961.
Órgãos da ONU que operam em Cuba, tais como OMS, UNICEF e UNFPA, continuam a reportar os efeitos negativos do embargo dos EUA sobre a saúde da população, principalmente sobre os grupos marginalizados. Em consequência da imposição de restrições à importação de bens fabricados por empresas estadunidenses e suas subsidiárias, ou produzidos conforme a lei de patentes dos EUA, ainda há dificuldade de acesso a certos produtos de primeira necessidade, a equipamentos, a remédios e a materiais de laboratório.
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