Uma nova instituição denominada Defensor dos Direitos iniciou suas atividades. Investigações sobre denúncias de tortura ou outros maus-tratos, incluindo mortes sob custódia, permaneceram insatisfatórias. Ciganos continuaram a ser despejados à força. Entrou em vigor uma lei que proíbe o uso em público de qualquer tipo de vestimenta que oculte o rosto. Muitos requerentes de asilo foram deixados desabrigados e em situação de indigência.
Em junho, foi designado o novo Defensor dos Direitos, o órgão que substitui a Ouvidora Nacional, a Comissão Nacional de Deontologia da Segurança, a Comissão de Combate à Discriminação e de Igualdade de Oportunidades, bem como a Defensoria da Criança. Há receio de que, para o exercício de suas diferentes atribuições, a instituição encontre dificuldades em manter os níveis de conhecimento e de independência que lhe são exigidos.
Em 1° de junho, entrou em vigor uma nova lei sobre detenção preventiva. Ela possibilita que as pessoas detidas sejam assistidas por um advogado a qualquer momento durante a detenção e o interrogatório, e exige que elas sejam informadas sobre seu direito de permanecer em silêncio. No entanto: o promotor pode postergar a presença de um advogado por até 12 horas por “razões de força maior”; as reuniões dos detidos com seus advogados continuaram a ser limitadas a 30 minutos; e continuou vigorando o regime especial de detenção preventiva para suspeitos de terrorismo ou de crime organizado, sob o qual o acesso a um advogado pode ser postergado por até 72 horas.
Top of pageO Código Penal permaneceu sem uma definição de tortura em consonância com a Convenção da ONU contra a Tortura. Não houve investigações imediatas, independentes, imparciais e efetivas sobre denúncias de maus-tratos por parte de agentes da lei.
Continuou a haver pouco progresso nas investigações relativas a mortes sob custódia policial, e permaneceram os receios quanto à independência dessas investigações.
Atos de discriminação contra pessoas pertencentes a minorias étnicas e religiosas continuaram a ser registrados por organizações de direitos humanos.
A discriminação contra os ciganos continuou a ocorrer. Acampamentos e casas improvisadas habitados por ciganos continuaram a ser destruídos em supostos despejos forçados. Em junho, o Comitê Europeu dos Direitos Sociais concluiu que os despejos de acampamentos ciganos, em meados de 2010, “tiveram como pano de fundo a discriminação étnica, envolvendo a estigmatização do povo cigano e a coação na forma de ameaça de expulsão imediata da França”. O Comitê concluiu ainda que as expulsões de ciganos para a Romênia e a Bulgária, em 2010, foram discriminatórias.
Em junho, o parlamento rejeitou uma proposta de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Uma lei que proíbe o uso em público de qualquer peça de indumentária que oculte o rosto entrou em vigor em 11 de abril. Em 22 de setembro, duas mulheres foram multadas por um Tribunal Administrativo com base nessa lei.
Ao longo de 2011, diversas iniciativas políticas e legislativas foram encaminhadas com o objetivo de fortalecer o princípio do secularismo. Em 2 de março, o ministro da Educação declarou que os pais que acompanham crianças na saída da escola não devem usar símbolos religiosos. A mesma proibição também foi aplicada a estudantes adultos cursando formação profissional.
Top of pageUma nova lei restringiu ainda mais os direitos de requerentes de asilo e de migrantes. Em junho, o parlamento aprovou uma lei de migração que amplia a duração máxima da detenção de migrantes irregulares à espera de expulsão de 32 para 45 dias. Além disso, se um grupo de dez ou mais migrantes irregulares ou requerentes de asilo for interceptado próximo à fronteira da França, eles serão mantidos em uma “área de contenção” por até 26 dias. Seus requerimentos de ingresso na França para solicitar asilo serão examinados; caso sejam considerados “manifestamente infundados”, tais pessoas serão devolvidas aos seus países de origem. Elas terão apenas 48 horas para recorrer da decisão, o que pode impedi-las de ingressar com uma solicitação de asilo.
Cerca de dois terços dos requerentes de asilo na França não tiveram acesso a centros de recepção para requerentes de asilo, o que contraria seus direitos sob a legislação nacional e da União Europeia. Consequentemente, muitos ficaram desabrigados e vivendo na indigência. Eles não receberam permissão para trabalhar enquanto suas solicitações estavam sendo analisadas e, na maioria dos casos, tiveram negada a permissão de trabalho durante o processo de recurso.
Em agosto, o ministro do Interior declarou que, se alcançado, o objetivo de expulsar 30 mil migrantes irregulares seria o “melhor resultado historicamente registrado na França”. Em outubro, ele anunciou que atingiria essa meta.
Em abril, o Conselho de Administração da Agência Francesa para a Proteção de Refugiados e Pessoas Apátridas (OFPRA) acrescentou a Albânia e o Kosovo à lista de países (de origem) “seguros” para requerentes de asilo. Demandas submetidas por requerentes de asilo vindos de países “seguros” são examinadas mediante procedimentos sumários, e tais pessoas podem ser devolvidas à força antes que seu recurso tenha sido examinado. Em novembro, o ministro do Interior anunciou que o orçamento para a concessão de asilo seria reduzido e que a lista de países de origem “seguros” seria ampliada. Ele afirmou que o sistema francês de concessão de asilo estava “sob risco” porque foi utilizado por migrantes econômicos para entrar e permanecer na França. Em dezembro, o Conselho de Administração da OFPRA acrescentou Armênia, Bangladesh, Montenegro e Moldávia à lista de países “seguros”.
Top of page