As respostas às denúncias de maus-tratos permaneceram insatisfatórias. Vários estados da federação continuaram a devolver indivíduos romanis (ciganos) à força para Kosovo, apesar da sua necessidade de proteção internacional.
Em fevereiro, o relator especial da ONU sobre o racismo recomendou que se fortalecesse o mandato e se aumentassem os recursos da Agência Federal Antidiscriminação; que fosse incluída no código penal uma referência explícita ao racismo como circunstância agravante; que se instituísse formação específica em identificação de crimes de ódio para agentes policiais, promotores e juízes; e que se adotassem medidas especiais para assegurar a representação adequada de pessoas de origem imigrante nas instituições estatais.
Início da páginaA omissão das autoridades em garantir que as violações de direitos humanos praticadas pela polícia fossem investigadas adequadamente, a insuficiência de informações sobre os procedimentos de denúncia e as dificuldades na identificação de agentes policiais podem ter facilitado a impunidade dos perpetradores e prejudicado o acesso das vítimas à justiça e à reparação.
Continuaram ocorrendo denúncias de maus-tratos e não foram estabelecidos órgãos independentes de queixas da polícia com mandato para investigar denúncias de violações de direitos humanos cometidas por agentes policiais. Apenas alguns estados da federação disponibilizaram em seus sites informações sobre como apresentar queixas por desvios de conduta dos policiais.
Vários estados continuaram a forçar o regresso de romanis (ciganos), ashkalis e egípcios para Kosovo, apesar do risco de perseguição e discriminação em seu retorno, principalmente pela falta de acesso à educação, saúde, habitação e benefícios sociais. No entanto, em 21 de setembro, o estado de Renânia do Norte-Westfália emitiu um decreto exigindo uma avaliação individual de risco, prévia ao retorno forçado desses grupos para Kosovo e, em 1º de dezembro, aprovou a suspensão por quatro meses das devoluções forçadas devido ao frio do inverno kosovar.
Ao longo do ano, 55 requerentes de asilo foram transferidos para a Grécia com base no Regulamento Dublin II, apesar de não funcionar naquele país um sistema de concessão de asilo. Em vários casos, o Tribunal Constitucional Federal suspendeu as transferências, que dependem de uma decisão final.
Em 15 de julho, o governo informou ao secretário-geral da ONU que havia retirado suas reservas à Convenção sobre os Direitos da Criança, e insistiu que não eram necessárias mudanças na legislação interna sobre asilo. Em função disso, adolescentes entre 16 e 17 anos continuaram recebendo tratamento de adultos durante os procedimentos de asilo, sem contarem com o auxílio de um tutor.
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Em fevereiro, um estudo da ONU sobre detenções secretas concluiu que a Alemanha foi cúmplice na detenção secreta do cidadão sírio-alemão Muhammad Zammar, que foi transferido ilegalmente para a Síria em dezembro de 2001. Evidências apresentadas em um inquérito parlamentar realizado entre 2006 e 2009 confirmaram que agentes alemães o haviam interrogado na Síria, em novembro de 2002, e também haviam enviado perguntas às autoridades sírias para que fossem usadas em seu interrogatório. Em junho de 2009, no entanto, o relatório do inquérito parlamentar concluiu que as autoridades alemãs não estavam implicadas em quaisquer violações de direitos humanos relacionadas a esse caso. Desde então, as autoridades se recusaram a se comprometer com uma nova investigação sobre seu papel nas transferências extrajudiciais (renditions).
O governo confirmou que continuará a se apoiar em “garantias diplomáticas” que, supostamente, serviriam para mitigar o perigo de tortura e outros maus-tratos quando pessoas fossem repatriadas aos seus países de origem.
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