A Indonésia assumiu a presidência da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) e, em maio, foi eleita para o Conselho de Direitos Humanos da ONU pelo terceiro mandato consecutivo. O governo reforçou a comissão de polícia nacional, mas os mecanismos para a prestação de contas pela polícia permaneceram insuficientes. As forças de segurança enfrentaram persistentes denúncias de violações dos direitos humanos, incluindo tortura e outros maus-tratos, além de uso excessivo e desnecessário da força. Autoridades provinciais de Aceh utilizaram cada vez mais o açoitamento com varas como punição judicial. Atividades políticas pacíficas continuaram a ser criminalizadas em Papua e Maluku. Minorias religiosas sofreram discriminação, inclusive intimidação e agressões físicas. Barreiras aos direitos sexuais e reprodutivos continuaram a afetar mulheres e meninas. Nenhuma execução foi registrada.
Forças de segurança foram objeto de reiteradas denúncias de prática de tortura e de outros maus-tratos contra detentos, particularmente contra ativistas políticos pacíficos em áreas com histórico de movimentos de independência, como Papua e Maluku. Investigações independentes sobre tais denúncias foram raras.
O açoite com vara tem sido cada vez mais utilizado como forma de punição judicial em Aceh. Pelo menos 72 pessoas foram açoitadas por diversos delitos, tais como consumir álcool, estar sozinho com alguém do sexo oposto que não seja cônjuge ou parente (khalwat), e jogar jogos de azar. As autoridades de Aceh aprovaram uma série de regulamentos para reger a aplicação da sharia, após a promulgação da Lei da Autonomia Especial da província, em 2001.
Top of pageA polícia usou força excessiva e desnecessária contra manifestantes e ativistas, especialmente nos casos envolvendo disputas por terra. Nas raras vezes em que ocorreram investigações, pouco progresso foi feito para levar os responsáveis à Justiça.
O governo continuou a criminalizar a expressão política pacífica em Maluku e Papua. Pelo menos 90 ativistas políticos foram presos por suas atividades políticas pacíficas.
Alguns defensores dos direitos humanos e jornalistas continuaram a ser intimidados e atacados devido ao seu trabalho.
Ataques e intimidações contra as minorias religiosas persistiram. Cada vez mais, a comunidade ahmadi era alvo dessas ações, e pelo menos quatro províncias emitiram novos regulamentos regionais para restringir suas atividades. Até o fim do ano, ao menos 18 igrejas cristãs haviam sido atacadas ou forçadas a fechar. Em muitos casos, a polícia não protegeu adequadamente grupos religiosos e outros grupos minoritários dos ataques.
Mulheres e meninas, especialmente as de comunidades pobres e marginalizadas, foram impedidas de exercer plenamente seus direitos sexuais e reprodutivos. Muitas continuaram sem acesso aos serviços de saúde reprodutiva previstos na Lei de Saúde de 2009, uma vez que o Ministério da Saúde ainda precisa regulamentar a lei a fim de que seja implementada. O governo não conseguiu combater atitudes discriminatórias e cruéis, nem práticas desumanas e degradantes, como a mutilação genital feminina e os casamentos precoces.
A taxa de mortalidade materna permaneceu sendo uma das mais altas na região.
Top of pageEm junho, o presidente expressou seu apoio à nova Convenção de Trabalhadores Domésticos, a convenção de Nº 189 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Porém, pelo segundo ano consecutivo, o parlamento não debateu nem aprovou a legislação que prevê proteção legal para trabalhadores domésticos. Isso deixou cerca de 2,6 milhões de trabalhadores domésticos – a grande maioria composta por mulheres e meninas – em risco contínuo de exploração econômica e de violência física, psicológica e sexual.
Top of pageResponsáveis por violações dos direitos humanos cometidas em anos anteriores em Aceh, Papua, Timor Leste e outras localidades ficaram livres de acusação. A Procuradoria Geral não atuou nos casos de graves violações dos direitos humanos apresentados pela Comissão Nacional de Direitos Humanos (Komnas HAM); entre esses, crimes contra a humanidade cometidos por membros das forças de segurança.
Pelo terceiro ano consecutivo, nenhuma execução foi registrada. No entanto, pelo menos 100 pessoas permaneciam sentenciadas à morte.
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