As liberdades de expressão, de associação e de reunião foram severamente restringidas. Dissidentes políticos, ativistas que defendem os direitos das mulheres e das minorias, bem como outros defensores dos direitos humanos, foram presos de modo arbitrário, detidos incomunicáveis, presos após julgamentos injustos e proibidos de viajar ao exterior. A tortura e outros maus-tratos eram comuns e cometidos com impunidade. As mulheres, assim como as minorias étnicas e religiosas, enfrentaram discriminação na lei e na prática. Pelo menos 360 pessoas foram executadas; acredita-se que o número total seja bem mais alto. Entre as pessoas executadas, estavam pelo menos três menores infratores. Açoitamentos e amputações judiciais também foram realizados.
As forças de segurança, inclusive a milícia paramilitar Basij, continuaram a operar com quase total impunidade, não havendo, praticamente, qualquer prestação de contas sobre os homicídios ilegais e outras sérias violações cometidas durante as extensas e fundamentalmente pacíficas manifestações ocorridas após as eleições presidenciais de 2009 e de anos anteriores.
Em março, o Conselho de Direitos Humanos da ONU designou um relator especial para investigar os direitos humanos no Irã; o governo recusou-se a permitir que ele visitasse o país. Em outubro, o Comitê de Direitos Humanos da ONU avaliou a situação dos direitos civis e políticos no Irã. Em dezembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução condenando as violações de direitos humanos no país.
Tropas iranianas atacaram bases do PJAK (Partido por uma Vida Livre no Curdistão), um grupo armado que defende a autonomia da população curda do Irã, na região do Curdistão iraquiano, onde pelo menos dois civis foram mortos e centenas de famílias foram desalojadas. Segundo informações, o PJAK teria recrutado crianças soldados entre seus combatentes.
As tensões internacionais em torno do programa nuclear iraniano intensificaram-se em novembro, quando a Agência Internacional de Energia Atômica informou que o Irã poderia estar construindo secretamente uma arma nuclear. O governo negou que isso fosse verdade. O governo iraniano acusou Israel e os EUA de estarem por trás dos assassinatos de vários cientistas iranianos, possivelmente relacionados ao programa nuclear do país; entre eles, o físico Dariush Rezaienejad, assassinado em julho por um atirador não identificado em Teerã. O governo negou as denúncias das autoridades estadunidenses que implicavam oficiais graduados da Guarda Revolucionária em uma conspiração para assassinar o embaixador saudita nos Estados Unidos.
Top of pageAs autoridades mantiveram as severas limitações às liberdades de expressão, de associação e de reunião, que foram impostas antes, durante e depois das grandes manifestações de 2009, e tentaram impor restrições ainda maiores. O Parlamento discutiu projetos de lei que limitariam ainda mais a liberdade de expressão, de associação e de reunião, inclusive as atividades de ONGs e de partidos políticos.
As autoridades recusaram permissão para as manifestações programadas para o dia 14 de fevereiro em solidariedade aos levantes ocorridos na Tunísia e no Egito, além de terem efetuado prisões com a intenção de frustrar sua realização. Mesmo assim, as manifestações aconteceram em Teerã, Isfahan, Kermanshah, Shiraz e outros lugares. Os eventos foram dispersados com violência por forças de segurança, que prenderam dezenas de pessoas e mataram pelo menos duas. Manifestações posteriores também foram dispersadas à força.
As manifestações que aconteceram nas províncias foram duramente reprimidas pelas forças de segurança, que teriam usado força excessiva e prendido dezenas, possivelmente centenas, de manifestantes. Na província do Khuzistão, dezenas de integrantes da minoria árabe ahwazi, segundo informações, foram mortos antes e durante as manifestações ocorridas em abril para comemorar os protestos de 2005. Muitos manifestantes ambientais, que cobravam uma ação do governo para terminar com a degradação do lago Oroumieh, foram presos na província do Azerbaijão Oriental, nos meses de abril, agosto e setembro.
O governo manteve um rígido controle sobre os meios de comunicação, proibindo a publicação de alguns jornais, bloqueando sites na internet e causando interferências em canais de televisão estrangeiros transmitidos via satélite. Numerosos jornalistas, ativistas políticos e seus familiares, cineastas, defensores dos direitos humanos, estudantes e acadêmicos foram hostilizados, proibidos de viajar ao exterior, presos de modo arbitrário, torturados ou encarcerados por manifestarem pontos de vista opostos aos do governo. Alguns indivíduos presos em anos anteriores foram executados após julgamentos injustos.
Agentes de segurança continuaram a prender e a deter arbitrariamente críticos e oponentes do governo, mantendo-os, com frequência, incomunicáveis e sem acesso a familiares, advogados ou cuidados médicos, por períodos prolongados. Muitos foram torturados ou maltratados. Após julgamentos injustos, dezenas foram sentenciadas a penas de prisão, somando-se a outras centenas de pessoas que haviam sido aprisionadas em anos anteriores, depois de julgamentos injustos.
A repressão contra os defensores dos direitos humanos, inclusive contra advogados, foi intensificada. Muitos foram presos de modo arbitrário e depois encarcerados ou intimidados. Outros, que enfrentaram julgamentos injustos em anos anteriores, continuaram na prisão; entre eles, ativistas pelos direitos das mulheres e das minorias, sindicalistas, advogados e estudantes. Muitos eram prisioneiros de consciência. Os sindicatos independentes continuaram proibidos, e vários sindicalistas permaneceram presos.
Indivíduos suspeitos de praticarem infrações de natureza política continuaram enfrentando julgamentos flagrantemente injustos, muitas vezes envolvendo acusações expressas de modo vago, as quais não correspondem a qualquer delito penal reconhecido na lei. Essas pessoas eram seguidamente condenadas, às vezes na ausência de advogados de defesa, com base em "confissões" ou em outras informações, supostamente obtidas mediante tortura durante o período de detenção provisória. Os tribunais aceitaram tais "confissões" como provas, sem investigarem como foram obtidas.
A tortura e outros maus-tratos durante a detenção provisória continuaram sendo práticas comuns e cometidas com impunidade. Os detentos eram espancados nas solas dos pés e em outras partes do corpo, às vezes enquanto mantidos suspensos de cabeça para baixo; queimados com cigarros e metais aquecidos; submetidos a simulações de execução; violentados, inclusive por outros presos, e ameaçados de violação sexual; confinados em espaços apertados; e privados de iluminação, de alimentos, de água e de tratamento médico adequados. Pelo menos 12 pessoas teriam morrido sob custódia em circunstâncias suspeitas, inclusive por privação ou atraso de tratamento médico. Suas mortes não foram investigadas de modo independente. Em março, pelo menos outras 10 pessoas morreram durante um tumulto na prisão de Ghezel Hesar, na cidade de Karaj, próximo à Teerã. Não se tem conhecimento de que as autoridades tenham investigado quaisquer denúncias de torturas ou maus-tratos. Pessoas que se queixavam de tortura sofriam represálias. As condições prisionais severas eram exacerbadas por extrema superlotação.
Sentenças de açoitamentos e amputações continuaram a ser impostas e executadas. Também foram impostas sentenças de cegamento.
As mulheres foram discriminadas na lei e na prática, inclusive por meio de códigos de vestuário obrigatórios. Ativistas pelos direitos das mulheres, como as que participaram da campanha Um Milhão de Assinaturas a fim de exigir a igualdade das mulheres perante a lei, foram perseguidas e hostilizadas. Um projeto de lei de Proteção da Família, o qual exacerbaria as leis discriminatórias contra as mulheres, ainda aguardava a aprovação final do parlamento. Algumas universidades começaram a segregar os estudantes por gênero.
Pessoas acusadas de práticas sexuais com pessoas do mesmo sexo continuaram a enfrentar hostilidades e perseguição, além de punições judiciais, como açoitamento e pena de morte.
As minorias étnicas do Irã, tais como árabes ahwazis, azerbaijanos, balúquis, curdos e turcomanos, sofreram discriminações constantes na lei e na prática. O uso de línguas minoritárias em órgãos governamentais e para fins de ensino escolar permaneceu proibido. Ativistas que defendiam os direitos das minorias enfrentaram ameaças, prisões e detenções.
Integrantes de minorias religiosas, tais como as convertidas ao cristianismo, dissidentes bahá'ís, clérigos xiitas, dissidentes e membros das comunidades dervixe e ahl-e haq, enfrentaram constantes perseguições depois que o Guia Supremo e outras autoridades apelaram insistentemente para que as "falsas crenças" fossem combatidas – aparentemente, referindo-se às fés cristã evangélica, bahá'í e sufi. Muçulmanos sunitas continuaram tendo restrições para prestar cultos comunitários em algumas cidades. Houve prisões de clérigos sunitas.
Centenas de pessoas foram sentenciadas à morte. Pelo menos 360 execuções foram notificadas por fontes oficiais, embora outras informações fidedignas sugiram que tenham ocorrido outras 274 execuções, pois muitos presos são executados secretamente. Quase 80 por cento das execuções foram motivadas por supostos delitos ligados a drogas e foram impostas a pessoas que vivem nas comunidades pobres e marginalizadas, principalmente cidadãos afegãos. Uma legislação antinarcóticos reformada entrou em vigor em janeiro. Ao que parece, pessoas condenadas à morte com base nessa lei não têm direito a recorrer da sentença.
O número de execuções públicas quadruplicou; pelo menos 50 foram informadas oficialmente e outras seis registradas por fontes não oficiais. Pelo menos três menores infratores – pessoas condenadas por delitos cometidos quando tinham menos de 18 anos de idade – foram executados. Fontes confiáveis relataram outros quatro casos. Não houve qualquer registro de execuções por apedrejamento; porém, 15 pessoas sentenciadas a morrer por meio desse método permanecem no corredor da morte, entre elas, Sakineh Mohammadi Ashtiani. Milhares de presos permanecem encarcerados enquanto aguardam sua execução.