Grupos armados de oposição ao governo realizaram vários atentados à bomba e outros ataques, matando centenas de civis. Milícias também cometeram assassinatos seletivos. Graves violações dos direitos humanos foram perpetradas pelas forças de segurança e por tropas estadunidenses. Milhares de pessoas ficaram detidas sem acusação nem julgamento, algumas mantidas por vários anos, embora muitas outras tenham sido libertadas. Até meados de julho, todas as prisões formalmente controladas pelas forças dos EUA foram transferidas para a administração iraquiana, assim como todos os prisioneiros, exceto 200 que permaneceram sob a custódia dos EUA no Iraque. A tortura e outros maus-tratos contra presos pelas forças iraquianas foram generalizados; alguns detidos foram torturados em prisões secretas e vários outros morreram sob custódia em circunstâncias suspeitas. Os tribunais impuseram sentenças de morte após julgamentos injustos, e pelo menos 1.300 prisioneiros estariam no corredor da morte. Houve relatos de uma execução, embora se acredite que o número real seja muito maior. Cerca de 3 milhões de iraquianos estavam deslocados dentro de país ou refugiados no exterior. As mulheres continuaram a enfrentar discriminação e violência.
As eleições parlamentares de março resultaram em impasse até novembro, quando um novo governo foi acordado, tendo como titular o primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Grupos armados de oposição ao governo intensificaram os ataques suicidas à bomba e de outros tipos, matando e ferindo centenas de civis.
Em meados de agosto, os EUA retiraram suas últimas tropas de combate do Iraque, embora cerca de 50 mil efetivos tenham permanecido, segundo informações, para fornecer apoio e treinamento.
Em julho, a Força dos Estados Unidos no Iraque (USF-I) concluiu a entrega de detentos e de prisões ao governo iraquiano, conforme previsto pelo Acordo sobre o Status da Força (SOFA, na sigla em inglês) de 2008 entre os EUA e o Iraque. Milhares de detentos foram transferidos para a custódia iraquiana. Cerca de 200 prisioneiros, a maioria líderes de grupos armados e ex-membros do alto escalão do governo de Saddam Hussein, permaneceram detidos pela USF-I em uma seção do Campo Cropper (rebatizado de Prisão Al Karkh pelo governo iraquiano, em julho), aparentemente a pedido das autoridades iraquianas. O SOFA não possui salvaguardas em matéria de direitos humanos, apesar do bem documentado histórico de tortura e outros maus-tratos de prisioneiros pelas forças de segurança iraquianas.
A maioria dos iraquianos continua vivendo na pobreza. A escassez de água e eletricidade foi crônica, e o desemprego foi superior a 50 por cento. A persistência de um alto nível de insegurança desencorajou investimentos estrangeiros, e a corrupção era reinante nas instituições do governo. Em julho, uma auditoria dos EUA concluiu que o Pentágono foi incapaz de prestar contas de mais de 95 por cento dos US$ 9,1 bilhões destinados à reconstrução do Iraque, que o órgão havia sido incumbido de administrar.
Em fevereiro, a situação dos direitos humanos no Iraque foi avaliada na Revisão Periódica Universal da ONU.
Em agosto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou por unanimidade a resolução 1.936, estendendo por mais um ano o mandato da Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI).
Em novembro, o Iraque ratificou a Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra Desaparecimentos Forçados, embora tenha formulado reservas contra ações individuais.
Início da páginaGrupos armados de oposição ao governo e à presença de forças estadunidenses cometeram graves abusos contra os direitos humanos, incluindo sequestro, tortura e homicídio. Realizaram ataques suicidas à bomba em locais públicos e outros atentados indiscriminados em grande escala contra civis, além de assassinatos seletivos. Muitos ataques foram realizados pela Al Qaeda no Iraque – que teve dois de seus líderes mortos em uma ofensiva das forças estadunidenses e iraquianas em abril – e por grupos armados sunitas seus aliados.
Em outubro, vários ex-membros dos Conselhos do Despertar, milícias sunitas recrutadas para auxiliar as forças estadunidenses no combate à Al-Qaeda no Iraque, teriam passado para o lado da Al-Qaeda sob ameaça ou por desilusão pela percepção de terem sido abandonados pela USF-I.
A milícia xiita, principalmente os membros da Liga dos Justos (Asaib Ahl al-Haq), um grupo dissidente do exército Mahdi, também cometeu sérios abusos dos direitos humanos, incluindo sequestros e homicídios.
Muitas vítimas dos ataques eram civis, como membros de minorias étnicas e religiosas, autoridades locais, advogados e juízes, jornalistas e outros profissionais. Entre os mortos, estavam mulheres e crianças.
Milhares de pessoas continuaram detidas sem acusação ou julgamento. Algumas foram mantidas pela USF-I e transferidas para a custódia iraquiana na metade de julho, quando a última prisão administrada pelos EUA, o Campo Cropper, foi entregue ao controle iraquiano. Muitos detentos não tiveram acesso a advogados ou familiares, e alguns foram mantidos em prisões secretas administradas pelos ministérios do Interior e da Defesa, nas quais foram comuns tortura e outros maus-tratos. A maioria dos detidos era de mulçumanos sunitas suspeitos de apoiarem grupos armados sunitas. Muitos estão sendo mantidos sob detenção há vários anos.
A tortura e outros maus-tratos foram comuns nas prisões iraquianas, especialmente nas controladas pelos Ministérios da Defesa e do Interior. Prisioneiros foram espancados com cabos e mangueiras, suspensos por seus membros por longos períodos, receberam choques elétricos, tiveram membros fraturados, foram asfixiados com sacos plásticos e violentados ou ameaçados de violação sexual. A tortura foi usada para extrair dos detidos informações e “confissões” que poderiam ser utilizadas contra eles no tribunal. Arquivos secretos da USF-I publicados pela organização Wikileaks, em outubro, mostraram que soldados estadunidenses relataram aos seus superiores por várias vezes, até o final de 2009, evidências de torturas cometidas pelas forças de segurança iraquianas. Esses relatos, aparentemente, não geraram investigações.
Vários detidos morreram sob custódia, possivelmente como resultado de tortura e outros maus-tratos.
O Supremo Tribunal Penal Iraquiano (STCI) continuou a julgar antigos membros graduados do partido Baath, assim como militares e outros funcionários do governo de Saddam Hussein, derrubado em 2003, que foram acusados de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e outros sérios crimes. Os julgamentos não cumpriram os padrões internacionais para julgamentos justos; O STCI careceu de independência e, segundo advogados e juízes, sofreu interferência política.
As forças dos EUA no Iraque cometeram sérias violações dos direitos humanos, incluindo homicídio de civis.
Milhares de arquivos confidenciais foram publicados pelo Wikileaks. Entre outras informações, os documentos mostraram que, em anos anteriores, as tropas estadunidenses mataram a tiros vários civis em bloqueios rodoviários de segurança e, ao contrário do que haviam negado, as autoridades dos EUA tentaram manter registro do número de civis iraquianos mortos durante o conflito no Iraque. Estimativas revisadas calculam em 66.081 o número de vítimas civis no conflito do Iraque entre 2004 e 2009.
Início da páginaMulheres foram alvos de violência por grupos armados, e as que não aderiram ao rigoroso código de vestimenta estiveram sob ameaça. As mulheres também sofreram violência doméstica e não tiveram proteção adequada, nem na legislação nem nas práticas iraquianas. Muitas mulheres e meninas foram submetidas a práticas nocivas, inclusive casamento forçado e precoce.
Em outubro, o Ministério dos Direitos Humanos informou que, sem incluir a região do Curdistão, ao menos 84 mulheres haviam sido mortas em assassinatos em nome da “honra” em 2009. O Ministério reiterou seu apelo para que mudanças jurídicas sejam realizadas, como emendas ao Artigo 409 do Código Penal, que prevê que qualquer homem que assassine sua esposa ou parente do sexo feminino ao surpreendê-la em adultério não deve ser condenado a mais do que três anos de prisão. Nenhuma mudança foi efetuada.
Início da páginaSegundo informações, cerca de 1,5 milhão de iraquianos desalojados estão vivendo como refugiados na Síria, Jordânia, Líbano, Turquia e outros países da região. Ao menos outros 1,5 milhão estavam desalojados no país, incluindo aproximadamente 500 mil pessoas sem teto, vivendo em assentamentos ou campos em condições extremamente severas. Milhares de pessoas deslocadas dentro do país voltaram para suas casas acreditando que as condições de segurança haviam melhorado, mas enfrentaram muitos problemas. Vários países europeus repatriaram à força para o Iraque requerentes de asilo iraquianos cuja entrada havia sido recusada nesses países, contrariando diretamente as recomendações do ACNUR, o órgão da ONU para refugiados.
Início da páginaAo menos 279 pessoas foram sentenciadas à morte e pelo menos 1.300 prisioneiros estariam no corredor da morte, embora as autoridades não costumem revelar informações sobre a pena capital. Sabe-se de uma execução pública; porém, aparentemente, o número total de execuções foi muito maior.
A maioria das sentenças capitais foi imposta pelo Tribunal Penal Central Iraquiano em casos de indivíduos condenados por envolvimento em ataques armados. Os julgamentos constantemente desconsideravam as normas internacionais para julgamentos justos. Os acusados muitas vezes alegaram terem sido forçados a assinar “confissões” sob tortura ou outras formas de coação quando estavam mantidos incomunicáveis em detenção preventiva, além de não poderem escolher seus próprios advogados de defesa. Penas de morte também foram aprovadas pelo STCI.
Em dezembro, o Iraque foi um dos poucos Estados que votaram contra a resolução da Assembleia Geral da ONU que pedia uma moratória mundial das execuções.
Início da páginaEm grande medida, a região do Curdistão não foi afetada pela violência política vista em outras partes do Iraque. Em geral, as condições dos direitos humanos continuaram a melhorar, embora vários abusos tenham sido relatados.
Em maio, foi aprovada uma lei para criar uma comissão de direitos humanos para a região do Curdistão. Em junho, o parlamento curdo estendeu a aplicação da lei antiterrorismo, de 2006, por mais dois anos. Em novembro, foi aprovada uma lei restringindo manifestações.
Em novembro, na ocasião do festival religioso Eid al-Adhha, o presidente do Governo Regional do Curdistão anistiou 207 prisioneiros que teriam sido libertados. Entre eles, estavam alguns que cumpriam pena por “crimes de honra”. Ativistas dos direitos das mulheres criticaram as libertações.
Membros e apoiadores de grupos políticos de oposição foram ameaçados, assediados, agredidos e presos.
Vários jornalistas independentes foram atacados.
As mulheres continuaram a sofrer discriminação e violência. Foram relatados casos de homens que assassinaram parentes do sexo feminino, assim como de várias mulheres que se suicidaram ateando fogo ao próprio corpo. Há informações de que a mutilação genital feminina também é amplamente praticada. De acordo com os registros oficiais do Governo Provisório do Curdistão, na primeira metade de 2010 ao menos 671 mulheres foram submetidas a “grave violência doméstica” e pelo menos outras 63 sofreram abuso sexual.
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