Os direitos da comunidade romani (ciganos) continuam sendo violados, e os despejos forçados contribuíram para agravar a situação de pobreza e de marginalização das pessoas afetadas. Comentários pejorativos e discriminatórios feitos por políticos contra o povo cigano, contra os imigrantes e contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros promoveram um clima de crescente intolerância. Ataques homofóbicos violentos continuam ocorrendo. Requerentes de asilo não obtiveram acesso a medidas efetivas na busca por proteção internacional. Relatos de maus-tratos praticados por agentes da segurança pública continuam a ocorrer. A falta de rigor nas investigações sobre mortes ocorridas sob custódia e sobre supostos maus-tratos ainda causa preocupação. A Itália se recusou a introduzir o crime de tortura na legislação nacional.
Em março, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos visitou a Itália pela primeira vez. Entre outras observações, ela se mostrou preocupada que as autoridades italianas estejam tratando os ciganos (romanis) e os imigrantes como “problemas de segurança” ao invés de buscar formas de incluí-los na sociedade.
Em abril, o Comitê Europeu para Prevenção da Tortura publicou relatórios sobre as visitas periódicas à Itália, feitas em setembro de 2008 e julho de 2009, destacando, entre outras questões, a falta de um dispositivo legal sobre a tortura no código penal e a superlotação das instalações prisionais. O relatório de 2009 também condenava a política de interceptar imigrantes no mar e de forçá-los a retornar para a Líbia ou outros países não-europeus, o que viola o princípio de não-devolução (non-refoulement), que proíbe devolver pessoas a países nos quais haja riscos de sofrerem graves violações de direitos humanos.
Em 25 de junho, o Comitê Europeu de Direitos Sociais considerou que a Itália discriminava os romanis e os sintis no acesso a vários direitos, inclusive os de moradia e de proteção contra a pobreza e a exclusão social, assim como o direito de trabalhadores imigrantes e de suas famílias à proteção e assistência.
Em fevereiro, o histórico de direitos humanos da Itália foi avaliado no processo de Revisão Periódica Universal da ONU. O governo respondeu em maio, rejeitando 12 das 92 recomendações recebidas. Preocupam, particularmente, as recusas em introduzir o crime de tortura na legislação nacional e em abolir o crime de imigração irregular.
Início da páginaA comunidade romani continuou a ser discriminada no acesso aos seus direitos a educação, habitação, assistência à saúde e emprego. Comentários pejorativos feitos por alguns políticos e por representantes de vários órgãos de governo contribuíram para incitar um clima de intolerância contra pessoas ciganas e imigrantes, assim como contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.
Em agosto, o Observatório para a Segurança contra Atos Discriminatórios, instituído pelas autoridades policiais, entrou em operação. Tal mecanismo visa a estimular e tornar mais simples para as vítimas a apresentação de denúncias contra ataques discriminatórios.
Por todo o país, continuam ocorrendo desalojamentos forçados de pessoas ciganas. Algumas famílias foram submetidas a despejos consecutivos, que afetaram as comunidades e seu acesso ao trabalho, impedindo algumas crianças de frequentarem a escola.
Continuaram ocorrendo ataques homofóbicos violentos. Por uma brecha na lei, as vítimas de crimes motivados por discriminação baseada na orientação sexual e na identidade de gênero não recebem a mesma proteção dada às vítimas de crimes motivados por outras formas de discriminação.
Início da páginaRequerentes de asilo e imigrantes continuam tendo seus direitos negados, especialmente aqueles relativos a um processo justo e satisfatório de concessão de asilo. As autoridades não os protegeram adequadamente contra a violência racista e, por produzirem vínculos infundados entre imigrantes e criminalidade, alguns políticos e representantes do governo incitaram um clima de intolerância e xenofobia.
Ademais, o ACNUR, a agência para refugiados da ONU, e várias ONGs manifestaram temores de que os acordos entre a Itália, a Líbia e outros países a fim de controlar os fluxos de imigração estariam fazendo com que centenas de requerentes de asilo, inclusive crianças, estivessem sendo privados do acesso aos processos de solicitação de proteção internacional. Continuou caindo sensivelmente o número de solicitações de asilo na Itália.
As 68 estavam em um barco que transportava 131 pessoas e que foi interceptado pelas autoridades italianas perto da costa da Sicília. O número total incluía 44 menores de idade e 19 pessoas que foram presas por incentivar a imigração ilegal.
Em janeiro, dois dias de confrontos violentos entre trabalhadores imigrantes, moradores e a polícia, na cidade de Rosarno, levaram mais de mil imigrantes (a maioria com permissão de trabalho) a fugir ou a serem removidos da área por órgãos de segurança pública. Os confrontos se iniciaram depois que um trabalhador imigrante foi ferido por tiros disparados de um carro que passava, ao voltar para casa com outras pessoas, após o trabalho no campo. Em abril, um inquérito judicial sobre as causas das revoltas levou à prisão de mais de 30 pessoas – italianas e estrangeiras – por exploração e escravização de pessoas imigrantes empregadas no setor agrícola naquela área. O inquérito ainda estava em andamento ao final do ano.
Início da páginaEm dezembro, as condenações realizadas em 2009, de 25 agentes estadunidenses e italianos envolvidos no sequestro de Abu Omar em uma rua de Milão, em 2003, foram mantidas pelo Tribunal de Recursos daquela cidade. O julgamento dos 23 agentes estadunidenses condenados se deu em sua ausência. O Tribunal sentenciou os acusados a penas de até nove anos de prisão. Depois de sequestrado, Abu Omar foi ilegalmente transferido pela CIA da Itália para o Egito, onde foi mantido em detenção secreta e, segundo relatos, torturado. O Tribunal indeferiu as acusações contra cinco funcionários graduados da agência de inteligência italiana, argumentando segredo de Estado.
Os processos criminais relativos às acusações de terrorismo contra Adel Ben Mabrouk e Rihad Nasseri, dois cidadãos tunisianos detidos em Guantánamo e transferidos para a Itália em 2009, estavam ainda em andamento. Houve temores de que os acusados seriam deportados para a Tunísia, o que violaria o princípio de não-devolução.
Início da páginaHouve relatos constantes de maus-tratos praticados por agentes da segurança pública. Persistem dúvidas sobre a independência e a imparcialidade das investigações e sobre o rigor da coleta e preservação das provas nos casos de mortes sob custódia e de supostos maus-tratos , o que frequentemente leva à impunidade. Vítimas e seus familiares continuavam tendo que fazer reiteradas petições às autoridades para conseguir assegurar investigações rigorosas e levar os responsáveis à Justiça.
Em março e maio, o Tribunal de Recursos de Gênova emitiu veredictos de segunda instância nos julgamentos por tortura e outros maus-tratos perpetrados por agentes da segurança pública contra manifestantes de oposição ao G8, em 2001. Ao final do ano, ainda estava aberto o prazo para apresentar recurso perante o Tribunal de Cassação.
Em março, o Tribunal considerou que a maioria dos crimes ocorridos no centro de detenção provisória de Bolzaneto, incluindo lesões corporais graves e inspeções e buscas arbitrárias, havia prescrito; porém, ainda assim, sentenciou todos os 42 acusados a pagarem indenizações por danos às vítimas. O Tribunal também impôs sentenças de prisão de até três anos e dois meses a oito dos acusados.
Em maio, a mesma corte julgou culpadas 25 das 28 pessoas acusadas de abusos similares na Escola Armando Diaz, incluindo agentes graduados da polícia presentes à época dos eventos, e impôs penas de prisão de até cinco anos. Muitas das acusações foram retiradas em razão do prazo prescricional.
No entanto, se a Itália tivesse introduzido a tortura como um crime específico em seu código penal, a prescrição não seria aplicada.
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