Agentes de aplicação da lei cometeram violações de direitos humanos contra imigrantes e requerentes de asilo. Um policial foi condenado por um homicídio ocorrido em 2007; porém, a família da vítima não recebeu qualquer compensação. Registraram-se vários casos de uso ilegal da força por parte da polícia, alguns resultando em morte. Continuaram as denúncias de tortura e outros maus-tratos nas prisões.
Em fevereiro, a situação dos direitos humanos em Moçambique foi avaliada de acordo com a Revisão Periódica Universal (RPU) da ONU e, em junho, o relatório final do Conselho de Direitos Humanos da ONU foi adotado. Moçambique aceitou 131 recomendações feitas durante a RPU, afirmando que muitas delas ou já haviam sido ou estavam em vias de implementação. Essas recomendações incluíam investigar todos os casos de detenções arbitrárias, de tortura, de outros maus-tratos e de uso de força excessiva pela polícia, bem como levar os perpetradores à Justiça.
Em março, o ex-ministro do Interior, Almerino Manhenje, foi sentenciado a dois anos de prisão, pelo Tribunal da Cidade de Maputo, por "violação da legalidade orçamental e pagamentos indevidos" e "abuso de poder". As acusações referiam-se a decisões orçamentárias ilegais e à má gestão dos gastos públicos no período em que ele comandou o Ministério, em 2004. O ex-diretor e o ex-vice-diretor do departamento financeiro do Ministério também foram sentenciados, no mesmo caso, a penas de dois anos de prisão.
Em abril, os guardas de segurança do principal partido de oposição do país, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) atiraram contra policiais em um aeroporto de Sofala, o qual passava por uma reforma a fim de receber o Presidente Guebuza. Eles exigiam que todos os trabalhos fossem interrompidos até que o partido governista, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), concordasse em manter conversações com a RENAMO. Afonso Dhlakama, presidente da RENAMO, ameaçou criar uma situação de instabilidade com o objetivo de derrubar a FRELIMO.
Em setembro, foram selecionados 25 juízes para os Tribunais Superiores de Recurso, criados para desafogar o Tribunal Supremo, que, até então, era o único tribunal de apelações do país. Até o fim do ano, os sistemas necessários ao funcionamento dos novos tribunais ainda não haviam sido implementados.
Dezenas de pessoas, a maioria idosas, foram mortas depois de serem acusadas de bruxaria. A maior incidência desse tipo de homicídio foi registrada na província sulista de Inhambane, onde pelo menos 20 idosos foram assassinados entre agosto e setembro.
Top of pageAgentes policiais e de fronteiras cometeram violações de direitos humanos contra requerentes de asilo e imigrantes sem documentação. Milhares, sobretudo da Somália e da Etiópia, entraram em Moçambique através da Tanzânia entre os meses de janeiro e julho. Muitos deles relataram que agentes de fronteira e policiais os agrediram fisicamente e roubaram seus pertences, deixando-os nus e abandonando-os nas ilhas do rio Rovuma. Outros contaram que as embarcações em que chegaram foram emborcadas pela polícia marinha.
Assim como em anos anteriores, a polícia empregou força excessiva e, algumas vezes, usou armas de fogo contra pessoas suspeitas de terem cometido crimes. Muitas circunstâncias resultaram em lesões corporais graves ou morte. Um policial foi condenado pelo homicídio de um homem, cometido em novembro de 2007. Entretanto, a maioria dos casos de violações dos direitos humanos cometidos no passado pela polícia ainda não foi solucionada. Entre esses, o uso de força excessiva durante as manifestações de 2009 e 2010, quando a polícia usou munição real.
Houve constantes denúncias de tortura e outros maus-tratos de prisioneiros, inclusive após tentativas de fuga.
Para a maioria dos cidadãos, o acesso à Justiça, devido aos seus custos e outros obstáculos, continuou a ser um desafio. Apesar de uma lei que isenta as pessoas pobres do pagamento das custas judiciais, muitos juízes continuaram a insistir no pagamento dessas taxas mesmo para pessoas que apresentem atestado de pobreza.
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