Na Cisjordânia, as forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) controladas pelo Fatah detiveram arbitrariamente pessoas conectadas com o Hamas, enquanto que na Faixa de Gaza, a administração de facto do Hamas deteve arbitrariamente pessoas ligadas ao Fatah. Em ambas as áreas, os detidos foram torturados e sofreram maus-tratos, tendo prevalecido a impunidade. Tanto a ANP quanto o Hamas restringiram a liberdade de expressão e de associação. Em Gaza, pelo menos 11 pessoas foram condenadas à morte e cinco execuções foram realizadas, pela primeira vez desde 2005. A crise humanitária, que atinge a população de 1,5 milhão de habitantes da Faixa de Gaza, aumentou com a manutenção do bloqueio militar do território promovido por Israel, bem como com as sanções impostas por outros Estados às autoridades de facto do Hamas.
A Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, permaneceu sob ocupação israelense, embora duas autoridades palestinas não-estatais distintas operassem com poderes limitados: na Cisjordânia, o governo interino da ANP, liderado pelo primeiro-ministro Salam Fayyad; e, na Faixa de Gaza, a administração de facto do Hamas, liderada pelo ex-primeiro-ministro da ANP Ismail Haniyeh. A tensão entre Fatah e Hamas continuou elevada.
O Hamas e seus grupos armados afiliados mantiveram, de modo geral, um cessar-fogo não oficial com Israel, em vigor desde janeiro de 2009. Esporadicamente, porém, outros grupos armados palestinos dispararam foguetes e morteiros de forma indiscriminada a partir de Gaza contra o sul de Israel.
A ANP continuou sendo reconhecida internacionalmente como a única representante dos palestinos e participou de novas rodadas de negociação sobre um acordo político com Israel, convocadas em setembro pelo governo dos EUA. Os diálogos fracassaram quando Israel se recusou a prorrogar a moratória parcial da construção de colônias israelenses na Cisjordânia, que não incluia Jerusalém Oriental. O Hamas foi excluído de qualquer participação formal nas negociações.
Israel manteve o controle das fronteiras de Gaza e do espaço aéreo, e impôs amplas restrições à circulação de pessoas em toda a Cisjordânia. A continuação do bloqueio militar israelense à Faixa de Gaza afetou gravemente as condições de vida de seus habitantes, exacerbando a crise humanitária. Cerca de 80 por cento dos moradores de Gaza dependiam de ajuda humanitária internacional. A circulação de pessoas para entrar e sair de Gaza foi estritamente controlada e limitada, mesmo para aqueles gravemente doentes que precisavam de tratamento médico especializado não disponível em Gaza. A permanente proibição de Israel a uma ampla gama de importações teve um impacto extremamente negativo na segurança alimentar, na saúde e na infra-estrutura local, apesar de certas "flexibilizações" anunciadas em junho e dezembro. O bloqueio configura uma punição coletiva, e uma violação do direito internacional humanitário. Cerca de 46 palestinos morreram e 89 ficaram feridos em túneis subterrâneos usados para o contrabando de produtos básicos do Egito para Gaza; eles morreram ou ficaram feridos em consequência de ataques aéreos israelenses, colapsos de túneis e outros acidentes.
Vários países da América Latina reconheceram formalmente a Palestina como Estado independente, com base em suas fronteiras de 1967.
As autoridades do Hamas não investigaram os supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por braços militares do Hamas e por outros grupos armados palestinos durante a operação "Chumbo Fundido", a ofensiva militar de 22 dias promovida por Israel, que terminou em 18 de janeiro de 2009. Em setembro de 2009, o relatório da missão de inquérito designada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendou um prazo de seis meses tanto para Israel quanto para as autoridades palestinas investigarem e processarem os responsáveis por crimes de guerra cometidos durante o conflito. A administração de facto do Hamas, em um relatório apresentado à ONU em fevereiro, negou que grupos armados palestinos tivessem alvejado civis. Um comitê designado pelo Hamas afirmou, em outro relatório publicado em julho, que não havia "testemunhos confiáveis" para acusar indivíduos de alvejar civis israelenses propositalmente.
O Hamas continuou proibindo que Gilad Shalit, soldado israelense capturado em junho de 2006, tivesse contato com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha ou com sua família.
Início da páginaAs forças de segurança da ANP na Cisjordânia detiveram e prenderam arbitrariamente pessoas suspeitas de apoiarem o Hamas, e as forças de segurança do Hamas em Gaza detiveram e prenderam arbitrariamente pessoas suspeitas de apoiarem o Fatah. Em ambas as áreas, as autoridades concederam às forças de segurança liberdade de ação com amplos poderes, inclusive para prender e deter suspeitos de infrações e para torturá-los e submetê-los a maus-tratos, com impunidade. A Comissão Independente de Direitos Humanos (CIDH) relatou o recebimento de mais de 1.400 queixas de detenções arbitrárias na Cisjordânia e mais de 300 em Gaza.
Foram denunciados casos de torturas e outros maus-tratos a pessoas detidas pelas forças policiais e de segurança – na Cisjordânia, por parte da Força de Segurança Preventiva da ANP e do Serviço Geral de Informações; em Gaza, pela Segurança Interna. A CIDH disse ter recebido mais de 150 denúncias de casos tortura ou outros maus-tratos perpetrados pela ANP na Cisjordânia, e mais de 200 pelo Hamas em Gaza. Surgiram ainda novas denúncias de casos ocorridos em 2009.
Em ambas as áreas, a tortura e outros maus-tratos foram cometidos com impunidade. Em um raro caso de processo, cinco membros do Serviço Geral de Informações da ANP foram julgados em 2010 por envolvimento com a morte sob custódia de Haitham Amr, em junho de 2009. Porém, eles foram absolvidos por um tribunal militar.
Em Gaza, foi registrada uma morte sob custódia após uma agressão policial.
Na Cisjordânia, as autoridades de segurança não cumpriram muitas das ordens judiciais para libertar prisioneiros. A ANP continuou proibindo que ex-integrantes do Judiciário e das forças de segurança trabalhassem para a administração de facto do Hamas. Em Gaza, a administração do Hamas seguiu utilizando promotores e juízes alternativos que careciam da formação, qualificações e independência necessárias.
Início da páginaEm Gaza, tribunais militares e criminais do Hamas sentenciaram pelo menos 11 pessoas à pena de morte. Cinco homens foram executados após processos que não satisfizeram as normas internacionais para julgamentos justos – em abril, dois condenados por "colaboracionismo" com Israel; e, em maio, outros três que haviam sido condenados por homicídio.
Início da páginaTanto a ANP na Cisjordânia quanto a administração de facto do Hamas em Gaza mantiveram um controle rigoroso sobre a liberdade de expressão, tendo perseguido e processado jornalistas, blogueiros e outros críticos.
A ANP e as autoridades do Hamas restringiram a liberdade de associação. Ambas impediram a organização islâmica Hizb ut-Tahrir de realizar reuniões, dispersaram violentamente protestos pacíficos e restringiram as atividades de outros partidos políticos e ONGs.
Grupos armados palestinos ligados à Frente Popular para a Libertação da Palestina, ao Fatah e ao Jihad Islâmica dispararam foguetes e morteiros indiscriminadamente contra o sul de Israel, matando um civil e um trabalhador imigrante tailandês, em 18 de março, e colocando outras pessoas em risco de vida. No entanto, a escala do lançamento de foguetes foi bastante reduzida em comparação com anos anteriores. As forças israelenses lançaram ofensivas contra alvos que consideravam serem os responsáveis pelos ataques.
Em maio e junho, homens palestinos armados não identificados queimaram, em Gaza, as instalações usadas pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos no Oriente (UNRWA, na sigla em inglês) em seu programa de jogos de verão para crianças.
Na Cisjordânia, quatro israelenses, entre os quais uma mulher grávida, foram mortos perto da colônia israelense de Kiryat Arba, em 31 de agosto, justamente quando as novas negociações entre Israel e ANP, apoiadas pelos EUA, estavam prestes a começar. No dia seguinte, outros dois israelenses foram atacados a tiros e feridos perto de outra colônia, Kochav Hashachar. As brigadas Izz al-Din al-Qassam, braço militar do Hamas, reivindicaram a responsabilidade por ambos os ataques.
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