Houve avanços no sentido de resolver as reivindicações às terras dos índios Sawhoyamaxa e Kelyenmagategma; porém, outros povos indígenas continuaram sendo privados de seu direito a terras ancestrais. As autoridades tentaram prejudicar e deturpar o trabalho dos defensores dos direitos humanos.
Em outubro, um estado de exceção de 60 dias foi declarado nos departamentos nortistas de Concepción e San Pedro, após dois ataques atribuídos ao Exército do Povo Paraguaio (EPP), um grupo armado de oposição.
Em fevereiro, a situação dos direitos humanos no Paraguai foi avaliada de acordo com a Revisão Periódica Universal da ONU. Os Estados das Nações Unidas manifestaram suas preocupações relativas aos direitos dos povos indígenas, à impunidade, aos direitos das mulheres e à discriminação por raça, etnia e orientação sexual.
Após uma visita em março, o relator especial da ONU sobre a liberdade de religião ou crença expressou preocupação com as demoras na aprovação de leis antidiscriminatórias, com a não implementação de mecanismos de não discriminação, sobretudo na região do Chaco, e com a debilidade da presença e da capacidade das instituições do Estado.
Em maio, foi aprovado um mecanismo nacional para a prevenção da tortura, tal como requer o Protocolo Facultativo à Convenção da ONU contra a Tortura.
Top of pageEmbora tenha havido progresso na resolução das reivindicações de terras de algumas comunidades indígenas, outras continuaram sendo privadas do direito a suas terras tradicionais.
Nem as reivindicações às terras do índios Yakye Axa, nem as dos Xámok Kásek foram resolvidas. Com relação às investigações da suposta fumegação de comunidades indígenas com pesticidas na região de Itakyry, em 2009, não houve qualquer avanço significativo.
Em agosto, o Comitê da ONU sobre a Eliminação da Discriminação Racial avaliou a situação do Paraguai. O Comitê recomendou que o país introduzisse reformas para garantir que o sistema de justiça proteja os direitos dos povos indígenas. Tais reformas deveriam incluir a adoção de mecanismos eficazes para apresentar queixas e ajuizar ações referentes a questões de terras; para concretizar a restituição de terras ancestrais; e para reconhecer plenamente, de modo coordenado e sistemático, os direitos às terras indígenas.
Top of pageAs autoridades tentaram minar o trabalho dos defensores dos direitos humanos.
Em julho, Norberto Atilio Bianco, que, na década de 1970, foi médico do exército no centro de detenção clandestino Campo de Mayo, na Argentina, foi extraditado do Paraguai, pela segunda vez, para responder a um processo por apropriação de bebês nascidos de mulheres que haviam sido vítimas de detenções ilegais e desaparecimentos forçados.
Em setembro, autoridades informaram que os restos mortais encontrados dentro de uma cova em uma delegacia de polícia de Assunción podem pertencer a pessoas que foram vítimas de violações de direitos humanos sob o regime militar do General Alfredo Stroessner (1954-1989). O relatório da Comissão de Verdade e Justiça, publicado em agosto de 2008, afirmava que pelo menos 59 pessoas haviam sido executadas e que outras 336 detidas haviam sido vítimas de desaparecimentos forçados durante o período militar.
Top of pageDenúncias de tortura apresentadas por ao menos quatro recrutas da Academia Militar Francisco Solano López, em Capiatá, estavam sendo investigadas pela justiça militar.
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