O Sudão do Sul transformou-se em um país independente em 9 de julho, seis meses após o referendo estabelecido no Acordo de Paz Global de 2005. As negociações com o Sudão quanto à divisão do petróleo, à cidadania e à demarcação de fronteiras continuaram. O conflito armado e a violência intercomunitária provocaram matanças, desalojamentos em massa e destruição de propriedades. As forças de segurança prenderam e detiveram arbitrariamente jornalistas, membros de grupos de oposição e manifestantes. O influxo de sudaneses do sul que se refugiaram ou retornaram do Sudão continuou alto.
A Constituição de Transição da República do Sudão do Sul (Constituição Transicional) foi adotada pela Assembleia Legislativa do Sudão do Sul e entrou em vigor em 9 de julho por um período temporário indeterminado. Uma provisão dentro da Constituição Transicional permitiu a integração de membros sulistas do Parlamento do Sudão à Assembleia Legislativa do Sudão do Sul.
A missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) passou a operar em 9 de julho, por um período inicial de um ano. No mesmo mês, o Sudão do Sul tornou-se membro da Organização das Nações Unidas e da União Africana.
Líderes de grupos armados de oposição assinaram acordos de cessar-fogo com o governo, e mais de 1.500 combatentes aguardavam sua integração ao Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA). Em 23 de julho, o líder do grupo armado de oposição Gatluak Gai foi morto em circunstâncias polêmicas três dias após ter assinado um acordo, negociado pelas autoridades locais do estado de Unity. No início de agosto, Peter Gadet, ex-líder do Exército/Movimento para a Libertação do Sudão do Sul (SSLM/A), assinou um acordo com o governo, embora facções dissidentes de seu grupo continuassem atuando sob o SSLM/A. Gabriel Tanginye, líder de um grupo armado de oposição, e dois de seus vice-líderes remanesceram sob prisão domiciliar na capital, Juba, imposta em abril, após as lutas entre suas forças e o SPLA no Alto Nilo e em Juncáli. Até o fim do ano, nenhuma acusação havia sido feita contra eles.
A luta entre o SPLA e os grupos armados de oposição resultou em abusos dos direitos humanos da parte de todos os envolvidos, incluindo matanças ilegais de civis, saques e destruição de propriedades. Grupos armados de oposição usaram minas antitanque ao longo das principais estradas, causando mortes e ferimentos de civis.
Uma série de ataques de retaliação ocorreu entre os dois grupos étnicos de Juncáli, lou nuer e murle. Em 15 de junho, o grupo lou nuer atacou o murle no condado de Pibor, onde diversos vilarejos foram saqueados e queimados, deixando mais de 400 pessoas mortas. Em 18 de agosto, o grupo murle lançou um ataque contra o lou nuer no condado de Uror, em decorrência do qual mais de 600 pessoas teriam sido mortas e mais de 200 ficaram desaparecidas. Sete vilarejos foram destruídos. Segundo estimativas da ONU, cerca de 26 mil pessoas foram desalojadas em decorrência dos confrontos. Um funcionário dos Médicos sem Fronteiras (MSF) foi morto. A clínica e o ambulatório do MSF foram saqueados e queimados. O armazém do Programa Alimentar Mundial também foi saqueado no mesmo incidente. A partir de 31 de dezembro, membros armados do lou nuer atacaram o murle na cidade de Pibor, onde saquearam a clínica do MSF e queimaram casas de civis. Dezenas de milhares de pessoas ficaram desalojadas, e centenas foram mortas durante o ataque.
Em 17 de setembro, conflitos intercomunitários no condado de Mayiandit, estado de Unity, na divisa com o estado de Warrap, levaram 46 pessoas à morte e deixaram 5 mil desalojadas.
Top of pageAs forças de segurança hostilizaram e prenderam arbitrariamente jornalistas, membros de grupos da oposição e manifestantes, por criticarem o governo.
As forças da segurança, inclusive o Serviço Policial do Sudão do Sul (SSPS), perseguiram, prenderam, torturaram e maltrataram pessoas, dentre as quais funcionários da ONU e de ONGs. Alguns indivíduos foram submetidos a desaparecimentos forçados. Em 26 de julho, o presidente requisitou a dissolução do departamento especial do serviço nacional de informações e segurança do Sudão do Sul, assim como do seu setor de segurança pública. O general Marial Nour Jok, ex-diretor de segurança pública e investigação criminal, foi preso e detido, em 30 de julho, após denúncias de que ele participou no estabelecimento de centros de detenção ilegais e em casos de tortura e corrupção.
Cidadãos do Sudão do Sul que residiam no Sudão antes da independência continuaram a retornar, por terem perdido o direito à cidadania do Sudão. Até o fim do ano, mais de 10 mil pessoas permaneciam em acampamentos para desalojados, no posto de trânsito de Kosti, no Sudão, a espera do retorno ao Sudão do Sul. A partir de junho, houve um grande influxo de refugiados do Sudão, após a erupção de conflitos entre as Forças Armadas Sudão (SAF) e o grupo armado de oposição Exército de Libertação Popular do Sudão Norte (SPLA-N).
Top of pageMais de 150 prisioneiros estavam no corredor da morte. Pelo menos cinco pessoas foram executadas: uma em agosto, na prisão de Juba, duas em 11 de novembro e outras duas em 21 de novembro, na prisão de Wau.
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