Persistiu a impunidade para os responsáveis pelas graves violações dos direitos humanos cometidas no período da ocupação indonésia entre 1975 e 1999. A polícia e os militares estiveram envolvidos em denúncias de maus-tratos e de uso excessivo da força. Os índices de violência doméstica permaneceram elevados, apesar da promulgação de uma lei para reverter essa situação.
Em fevereiro, o mandato da Missão Integrada da ONU no Timor-Leste (UNMIT) foi estendido por mais um ano.
Início da páginaA Policia Nacional do Timor-Leste (PNTL) prosseguia firme na retomada de suas atribuições policiais primárias, e os mecanismos disciplinares internos da instituição foram fortalecidos. Entretanto, persistiam denúncias de que policiais e militares continuavam abusando dos direitos humanos, inclusive com maus-tratos e uso de força excessiva. Houve pelo menos 59 denúncias de violações de direitos humanos cometidas pela polícia nacional e 13 pelos militares.
Início da páginaOs mecanismos judiciais e de prestação de contas permaneceram fracos. Foram lentas as iniciativas para fazer com que os responsáveis pela violência que eclodiu em 2006, após a exoneração de um terço do efetivo militar, prestassem contas de seus atos.
Em março, 23 indivíduos foram condenados por sua participação nos atentados de fevereiro de 2008 contra o Presidente e o Primeiro-ministro. Em agosto, porém, o Presidente indultou 23 deles, inclusive o ex-líder insurgente Gastão Salsinha. Organizações da sociedade civil manifestaram preocupação de que o indulto pudesse pôr em jogo a credibilidade do sistema de justiça.
Em maio, foi aprovada uma Lei contra a Violência Doméstica, que proporciona um quadro de referência para o governo, a polícia e a comunidade lidarem com essa questão. A lei define a violência doméstica de forma abrangente, incluindo violência física, sexual, psicológica e econômica, e prevê uma variedade de serviços para as vítimas. Entretanto, muitos casos de violência doméstica continuaram sendo resolvidos através dos mecanismos “tradicionais” de justiça, que não oferecem reparação plena para as vítimas. Os índices de violência doméstica permaneceram elevados.
Início da páginaEm janeiro, a Provedoria de Direitos Humanos e Justiça de Timor-Leste e a Comissão Nacional de Direitos Humanos da Indonésia assinaram um memorando de entendimento sobre a implementação das recomendações da Comissão da Verdade e da Amizade entre a Indonésia e o Timor-Leste (CVA) e da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR). O conteúdo do memorando não foi divulgado.
No início de julho, dois projetos de lei que previam a criação de um Programa Nacional de Reparações e de um Instituto para a Memória, ambos voltados a implementar as recomendações da CVA e da CAVR, foram apresentados para consulta pública. O Parlamento previa debater tais leis no final setembro. Porém, as discussões foram adiadas até fevereiro de 2011.
Pouco foi feito para enfrentar as graves violações de direitos humanos, inclusive crimes contra a humanidade, cometidas no período da ocupação indonésia do Timor-Leste (1975-1999). O Presidente Ramos-Horta rejeitou os apelos de ONGs nacionais e internacionais para que um tribunal internacional fosse estabelecido a fim de julgar os crimes do passado. Ele afirmou, porém, que não se oporia à criação do tribunal caso o Conselho de Segurança da ONU assim o determinasse. A Unidade dos Crimes Graves continuou a investigar as graves violações de direitos humanos cometidas em 1999.
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