Defensores dos direitos humanos foram ameaçados, e ações judiciais por razões políticas continuaram a ser usadas contra críticos do governo. Os mecanismos de prestação de contas para garantir a justiça e servir como dissuasores efetivos dos abusos policiais permaneceram frágeis. Em um sistema penitenciário severamente superlotado, graves episódios de violência resultaram em várias mortes.
A violência criminal e policial continuou sendo um grave problema nas cidades venezuelanas. Em maio, o governo criou uma Comissão Presidencial para o Controle de Armas, Munições e para o Desarmamento, a fim de lidar com a proliferação de armas de pequeno porte que abastecem a violência. Em novembro, o Presidente Chávez ordenou que as tropas da Guarda Nacional saíssem às ruas para enfrentar uma onda de crimes violentos.
Houve constantes protestos sociais no país. O Observatório de Conflitos Sociais da Venezuela registrou a ocorrência de 497 protestos, somente no mês de setembro, por uma variedade de questões, tais como direitos trabalhistas e segurança pública.
Em outubro, a situação dos direitos humanos na Venezuela foi avaliada de acordo com a Revisão Periódica Universal da ONU. Os Estados manifestaram suas preocupações com relação a uma série de tópicos, como a independência do Judiciário, ameaças e hostilidades contra defensores dos direitos humanos, condições prisionais, liberdade de expressão e impunidade.
Em outubro, o Tribunal Supremo de Justiça violou obrigações internacionais juridicamente vinculantes ao desconsiderar uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que determinava a suspensão da proibição de que o político oposicionista Leopoldo López concorresse às eleições.
Top of pageDefensores dos direitos humanos foram ameaçados e submetidos a acusações infundadas de autoridades do governo e da mídia estatal. Organizações de direitos humanos temiam que a falta de definição do que sejam "direitos políticos" na Lei de Defesa da Soberania Política e da Autodeterminação Nacional, aprovada pela Assembleia Nacional em dezembro de 2010, pudesse impedir seu trabalho. A lei proíbe as organizações que se considera trabalharem em defesa de direitos políticos de receberem financiamento internacional.
Houve constantes denúncias de violações dos direitos humanos cometidas pela polícia, inclusive homicídios ilegais e tortura. A maioria desses abusos não foi devidamente investigada, e poucas ações foram ajuizadas, se é que alguma foi.
Ações judiciais de natureza política continuaram a ser usadas contra críticos do governo.
Persistiam as preocupações relativas à independência e à imparcialidade do Judiciário.
A violência continuou endêmica dentro das prisões cronicamente superlotadas. Em junho, confrontos entre gangues rivais na prisão de El Rodeo causaram a morte de, aproximadamente, 27 presos.
Em julho, a ministra dos Serviços Penitenciários anunciou planos de libertar 40 por cento da população carcerária a fim de diminuir a superlotação. Em novembro, ela ameaçou publicamente exonerar os juízes que estavam impedindo seu projeto de acelerar os processos de presos acusados de infrações de menor gravidade. O Observatório Venezuelano de Prisões informou que, em 2010, apenas um quarto da população carcerária havia sido sentenciado; os demais estavam sendo julgados, aguardando uma audiência preliminar ou sendo investigados.
Top of pageHouve novas restrições à liberdade de expressão. Em outubro, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), o órgão público regulador das telecomunicações, impôs uma pesada multa à rede Globovisión por violação da Lei de Responsabilidade Social no Rádio, Televisão e Meios Eletrônicos. A TV foi acusada de fazer "apologia ao delito" e de promover "o ódio por razões políticas", devido à cobertura que fez da rebelião na penitenciária de El Rodeo. Em novembro, a Globovisión, cujos jornalistas já haviam sofrido ameaças e ataques anteriormente, e que já enfrentava outras investigações administrativas, recorreu da decisão. No fim do ano, o recurso ainda não havia sido julgado.
A violência contra mulheres e meninas continuou disseminada. Apesar das medidas adotadas nos últimos anos, as autoridades ainda não elaboraram um plano de ação para lidar com a violência contra as mulheres, nem o regulamento para implementar a Lei Orgânica de 2007 sobre o Direito das Mulheres a uma Vida Livre da Violência.
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